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  • Mari Romano

Pesquisa mostra que o brasileiro tem fumado menos

Segundo o INCA, o número de vendas do produto reduziu em 40% em 14 anos.





Parece que ser fumante está mesmo saindo de moda. A tendência, que começou nos anos 50 junto com a era de ouro do cinema, que vendeu os cigarros como símbolo de independência e rebeldia, durou até meados dos anos 2000, e depois começou a entrar em declive. Ser transgressor não é mais a última palavra, e sim ser da paz, tranquilo. Além disso, a ignorância sobre as reais consequências do tabaco, tão desconhecidas nos primórdios de sua glória, foi saindo de trás dos panos com o tempo, mas mesmo assim os fumantes pareciam não ligar. Sua saída da cena parece realmente ser algo geracional. Cada vez menos jovens estão se interessando em experimentar. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), dos 33 milhões de fumantes brasileiros, 2,8 milhões estão na faixa dos 10 aos 19 anos. E é por volta dos 13 anos que a grande maioria dos jovens experimentam o primeiro cigarro, como mostram estudos feitos em 1998 em dez capitais brasileiras, pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), ligado à Universidade Federal de São Paulo. É um dado alarmante, já que com essa idade tanto o corpo como o caráter ainda está em formação. É uma época dada aos encantos, muita coisa pode parecer atraente sem ser.


Muitas empresas tiram proveito disso, inclusive a indústria do álcool e da guerra. Certamente as propagandas de cerveja não são para os adultos que já bebem.

Se olharmos para os dados sobre depressão, podemos talvez traçar um paralelo. Segundo a OMS em pesquisa de 2015, em 10 anos, de 2005 a 2015, o número de pessoas com depressão cresceu 18,4%. A prevalência do transtorno na população mundial é de 4,4%. Ou seja, o mal estar geral está se tornando um problema endêmico do nosso sistema atual. Portanto, é consequência disso que vemos a moda mudar de rebeldia e looks junkie para a promoção de atividades como yoga, vegetarianismo, e meditação, que crescem a cada ano. O bacana agora é se cuidar, e não viver sem rédeas.

Segundo o Observatório do Controle de Tabaco do Inca, essa tendência realmente é uma realidade no Brasil. Cada vez menos e menos pessoas estão fumando.



Devido à queda do consumo de cigarros, a produção dos mesmos também diminuiu. De 2003 a 2007, a indústria do tabaco insistiu em aumentar a produção, mesmo o consumo demonstrando queda. Nesse ano de 2007, atingiu o pico dos 16 anos dos dados. Somente de 2008 em diante é que a indústria se mostra coerente com a queda do consumo per capita. Em 2009 a queda é notável em ambos os gráficos, o primeiro grande salto. O segundo ocorre novamente entre 2011 e 2013, depois de aparentemente se estabilizar entre 2008 e 2011. Ou seja, o gráfico de produção mostra discrepâncias apenas no início, talvez em uma tentativa corporativa de atrair mais usuários (demanda) pela grande quantidade de oferta.

Em doze anos, uma pessoa, em média, compra 542 cigarros por ano a menos. Levando em consideração que um maço possui 20 cigarros, uma ilustração mais clara seria dizer: Em 2004 (pico do gráfico), uma pessoa fumava 18 cigarros por semana, e em 2016, 7 cigarros. O talvez mostre que a pesquisa talvez tenha grande variação no tipo de fumantes, ou que talvez não fumem homogeneamente o ano inteiro. É bem difícil que esse número represente de forma fiel o fumante médio.


O coeficiente de variação para essa pesquisa foi calculado em 26%, o que representa uma dispersão mediana dos dados. Por mais que o número de vendas tenha abaixado e o brasileiro esteja buscando um estilo de vida mais saudável, o hábito de fumar ainda se mantém um dos mais difíceis de largar.


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